Descobrir o traje histórico através do toque. Exposição "Traje para Todos" no Museu Nacional dos Coches

Descobrir o traje histórico através do toque. Exposição "Traje para Todos" no Museu Nacional dos Coches

Os visitantes são convidados a tocar e explorar cinco reproduções de traje, acompanhando a evolução das suas principais características entre o final do século XVIII e o final do século XIX. A exposição tem por base o projeto de Ana Margarida Valente, que é cega e que no âmbito do seu Doutoramento em Belas-Artes da Universidade de Lisboa ela própria costurou as peças de época.

Arlinda Brandão - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Fotografias: Arlinda Brandão - RTP Antena 1

Integrada no percurso expositivo do Museu Nacional dos Coches, a mostra permite estabelecer um diálogo entre o traje histórico e as carruagens dessa época, acompanhando a sua evolução cronológica, assim como as características da moda.

 Ao fazer estas reproduções de trajes históricos, Margarida tentou não usar tecidos sintéticos, nem tecnicas modernas; respeitando a época histórica que representam.
"Traje para Todos" é um projeto que tem vindo a ser desenvolvido por Ana Margarida Valente, no âmbito do seu doutoramento em Belas-Artes – especialidade de Ciências da Arte e do Património, da Universidade de Lisboa. Esta abordagem para promover o "tocar" beneficia particularmente pessoas com deficiência visual, mas enriquece também a experiência de todos os públicos, reconhecendo o tato mas também os outros sentidos como ferramentas de descoberta das obras de arte expostas, promovendo a inclusão.

Ana Margarida falou com a rádio pública no Museu Nacional dos Coches, onde está a concretizar o sonho de ajudar a tornar os Museus mais inclusivos, acessíveis para pessoas com deficiência visual e para todos os visitantes que quiserem ter uma nova experiência de visita. E refere que percebe que "é importante salvaguardar o património e haver peças onde não se pode mesmo tocar; mas há réplicas que temos que deixar que toda a gente interaja com o património e mesmo tocar".
 Para Ana Margarida Valente: "os cegos podem tocar porque não têm outra forma de perceber; mas toda a gente pode ganhar alguma coisa se tocar".
"Como tornar o património cultural mais acessível sem comprometer a sua preservação?"Esta exposição tem como objetivo principal contribuir para uma experiência museológica mais inclusiva e acessível através da integração de conteúdos táteis associados à coleção de traje histórico. Os materiais produzidos neste projeto visam complementar a observação visual das peças expostas, permitindo uma compreensão mais aprofundada das formas, volumes, texturas, técnicas de confeção e elementos decorativos presentes nos trajes.

Através de reproduções e amostras concebidas especificamente para manipulação, os visitantes podem explorar aspetos do património têxtil normalmente inacessíveis devido às necessidades de conservação das peças originais. 

Entre as reproduções em que é possível tocar estão: um Traje Masculino - Estilo Rococó com três peças, a casaca apresenta amplas abas pregueadas e bolsos ornamentados com paletas recortadas, características da moda masculina do final do século XVIII. A profusão de botões decorativos, forrados em tecido ou metálicos, é típica deste período. 
Há também um Traje Feminino - Estilo Rococó, O vestido é confecionado em damasco de seda com motivos florais, decorado com folhos de organza de seda e laços de cetim. O espartilho dava ao torso uma forma cónica.
Entre as reproduções em que é possível tocar estão ainda: Traje Feminino Infantil - Estilo Império. Este traje infantil é composto por um vestido de algodão em tons de azul e branco, com cintura subida e mangas curtas de balão (que eram normalmente acompanhadas de luvas altas). 
Há também um Traje Masculino - Estilo Romântico, é composto por calças de malha de lã creme; colete de algodão estampado em tons de verde; e casaca preta de fazenda de lã (caxemira). 
A quinta reprodução é um Traje Feminino - Belle Époque. Este conjunto, em fazenda de lã espinhada cinzenta, reproduz um fato de passeio. A saia é ajustada sobre as ancas, com algumas pregas atrás, conferindo volume nessa zona. O corpete, de gola alta e decorado com galão preto, apresenta as volumosas mangas características da década de 1890.

A exposição "Traje para todos" nasce a partir do projeto de investigação desenvolvido em colaboração com o Museu Nacional do Traje e a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. 
Legendas em português e inglês, a negro e braille, reforçam o carácter inclusivo do projeto. A exposição integra ainda um vídeo produzido pela Direção de Comunicação da Museus e Monumentos de Portugal, que contextualiza o desenvolvimento desta iniciativa.

A Exposição pode ser visitada no Museu Macional dos Coches até 16 de agosto.

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